Logo após Seu batismo, Cristo foi levado pelo Espírito Santo ao deserto. Nas solitárias paragens, Jesus pronunciou palavras que permanecerão para sempre como a chave para uma vida poderosa e feliz. “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.”

“Pastor”, você deve estar pensando, “já sei, o senhor vai falar do estudo da Bíblia; eu sei que devo estuda-la, mas não tenho vontade, não sinto gosto na sua leitura.”

Em primeiro lugar, meu amigo, não encare a leitura da Bíblia como um dever. Olhe para a Palavra de Deus como uma carta de amor. O que faz um jovem quando recebe uma carta da namorada? Pensa: “Oh, que chato, não tenho vontade de ler esta carta, estou cansado, mas vou dar uma olhada nela por disciplina.” Não, claro que não. Dá-se o contrário. Ele a recebe com expectativa, abre-a depressa e devora com ansiedade cada uma das palavras. E o que mais? Joga-a fora? Não. Guarda-a no bolso. Dois minutos depois, tira a carta, torna a lê-la e guarda-a novamente. Não espera passar cinco minutos, procura-a de novo e a lê com a mesma ansiedade da primeira vez. Uma, outra e mil vezes. De repente, já não precisa ler, decorou-a completamente, com pontos e vírgulas. Mas mesmo assim, continua lendo-a.

Onde está o segredo? Por que tanta ansiedade para ler a carta? Por que não se cansa de fazê-lo? A palavra chave é AMOR. O jovem ama a pessoa que escreveu a carta.

A Bíblia não é um código de normas e proibições. Não é um compendio de histórias de um povo errante. Ela não é um volume de medidas, e nomes e cores. Não é um livro de animais estranhos e simbolismos proféticos. A Bíblia é a mais linda carta de amor escrita alguma vez. É a história de um amor louco e incompreendido. É a história de um amor que não se cansa de esperar. É uma declaração de um amor escrita com tinta vermelha do sangue do Cordeiro. Desde o Gênesis até o Apocalipse, há um fio vermelho atravessando cada uma de suas páginas. É o sangue do Cordeiro gritando desde o Calvário: “Filho, Eu amo você, você é a coisa mais linda que eu tenho.”

Na Bíblia você pode achar também a história da vida de outros homens semelhantes a você. Homens que experimentaram conflitos e tentações. Homens que às vezes caíram e escorregaram. Homens e mulheres que lutaram contra seus temperamentos, complexo e paixões, mas que venceram pelo sangue do Cordeiro. Através dessas histórias, Deus estará dizendo a você: “Filho, você também conseguirá, não desanime, olhe para frente e continue.”

Mas, como em tudo, na vida também o grande inimigo é o formalismo. A leitura mecânica da Bíblia não tem muito valor como alimento da nova natureza. A leitura da Bíblia tem que ser um momento de companheirismo e diálogo com o seu Autor. Você lê um versículo e medita nele. Trata de aplicar a mensagem desse verso à sua vida. Pergunte a você mesmo: “O que este verso está querendo falar para mim?” depois disto, você responde. Fale para Deus o que você acha de tudo isso. Conte-Lhe como está indo sua vida em relação com a mensagem que você acaba de ler. Não tenha pressa. Trate de “saborear” cada minuto de seu diálogo com Jesus. Não veja isso como um dever ou como uma carga pesada para carregar. Mas como o encontro com as maravilhosas promessas de Deus para você.

Outra ideia interessante para aprender a gostar do estudo da Bíblia é ler a Sagrada Escritura na primeira pessoa do singular. Cada vez que você achar a palavra nós ou o verbo na terceira pessoa do plural, substitua por você mesmo. Coloque sua vida nas páginas da Bíblia. Faça de conta que Deus está falando a você em particular, não para a humanidade em geral. Por exemplo, no verso de Romanos 8:31, que diz: “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Você pode ler: “Que direi, pois, se Tu, ó Pai querido, é comigo, quem será contra mim?” Aí pode contar a Deus que coisas ou quem você acha que está contra você, pode falar de seus temores, de suas dúvidas, de suas incertezas e terminar dizendo que, apesar disso tudo, acredita que se Deus está com você nada poderá amedrontá-lo.

Com estas ideias em mente, quero partilhar com vocês algumas sugestões práticas para um período diário de meditação, oração e estudo da Palavra de Deus:

Escolha uma hora – assim como você tem uma determinada hora, cada dia, para suas refeições, escolha uma hora para estar a sós com Deus, para meditar, orar e ler as Escrituras. Você sabe que em cada dia de 24 horas você tem à sua disposição 96 períodos de 15 minutos? Por que estão não reservar dois ou três desses períodos para a comunhão com Deus diariamente?

Escolha um lugar – O lugar para sua hora de comunhão deve ser silencioso, e onde outras pessoas não tirem sua concentração e atenção. Pode ser em uma sala, no quarto, no escritório, ou em meio à natureza, debaixo de uma árvore, à margem de um rio, como frequentemente fazia Jesus. O importante é que o lugar seja o mesmo, de preferencia, cada dia, e que você se sinta confortável.

Procure aquietar-se – Esqueça, nessa hora, suas preocupações, e gaste os primeiros minutos em pleno silêncio, preparando assim o coração para a comunhão com Deus. Se ao correr da hora de comunhão, vier à mente algo importante de seu trabalho, anote-o numa folha de papel, e isso deixará de molestá-lo.

Tenha em vista o objetivo dessa hora – Você está ali para meditar, para falar com Deus, para ouvir a Sua voz, para orar. Não permita que qualquer outra coisa o desvie desse plano. Não use esse tempo para preparar a qualquer outra coisa do seu dia a dia. Essa é a hora dedicada à comunhão com Deus, sem nenhum ouro compromisso.

Comece com uma invocação – Fale com Deus com toda a naturalidade. Convide-O a estar com você naquela hora, e peça-Lhe que o abençoe nos momentos de meditação, leitura da Bíblia e oração.

Use a Bíblia ­– Escolha uma porção da Palavra de Deus e leia-a calmamente, meditando em cada frase, em cada ponto ali exposto, e procure ouvir a voz de Deus através dessa leitura. O Espírito Santo poderá revelar-lhe maravilhosas verdades para sua vida cristã. Se preferir, pode começar pelos Evangelhos, lendo um tópico de cada dia. Você ficará surpreso com quantas novas gemas preciosas descobrirá ali. Tenha com você um caderno para anotar suas novas descobertas do Livro Sagrado.

Outros livros devocionais – Além da Bíblia, você poderá ler outros bons livros para meditação. O importante não é ler muito, mas ler e meditar numa porção suficiente para sua alimentação espiritual. Meditar é digerir, calmamente, o que se lê.

Momentos de oração – Agora você está preparado para falar mais demoradamente com Deus. Como a um amigo. Conte-Lhe tudo o que desejar. Apresente-Lhe suas preocupações. “Exponde continuamente ao Senhor vossas necessidades, alegrias, pesares, cuidados e temores. Não O podeis sobrecarregar; não O podeis fatigar. … Seu coração amorável se comove ante as nossas tristezas, ante a nossa expressão dela. Levai-Lhe tudo quanto vos causa perplexidade. Coisa alguma é demasiado grande para Ele, pois sustém os mundos e rege o Universo. Nada do que de algum modo se relaciona com a nossa paz é tão insignificante que o não observe.” – CC, 100. Ore o tempo que desejar e que Deus o inspirar a fazê-lo.

Quanto tempo gastar na comunhão? – não se pode prescrever um tempo igual para todos. Alguns iniciam com 15 minutos diários, e depois vão aumentando à medida que cresce sua capacidade de meditação e comunhão. A alegria dessa hora é progressiva. “Faríamos bem em passar uma hora, cada dia, meditando sobre a vida de Jesus e Seus ensinamentos.” DTN, 72.

Agora é só começar e perseverar. Não desanime se um dia ou outro surgir qualquer empecilho. Recomece e procure tornar cada vez mais regular sua hora de comunhão. Como resultado, você usufruirá mais e mais da alegria da salvação, e terá prazer em testemunhar aos outros de sua fé e de sua felicidade, porque “o coração que mais plenamente descansa em cristo será o mais zeloso e ativo no labor por Ele.” CC, 71.

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